Sarampo: uma ameaça que pode ser evitada

Você está protegido contra o sarampo?

Autora: Estela Maia Bellini Pannuti

O sarampo é uma doença contagiosa causado pelo Morbillivirus. É transmitido por contato direto, por exposição às gotículas do nariz, da boca ou da garganta da pessoa infectada, quando ela tosse, espirra ou respira. O vírus infecta o trato respiratório e se espalha por todo o corpo. É uma doença humana, ou seja, não ocorre em animais.

A primeira manifestação da doença geralmente é a febre alta, que começa entre 10 e 12 dias após a exposição ao vírus e dura de 4 a 7 dias. Na fase inicial, o paciente pode apresentar secreções no nariz (“nariz escorrendo”), tosse, olhos vermelhos e aquosos. No estágio inicial, também podem se desenvolver pequenas manchas brancas dentro das bochechas. Após vários dias, surge o exantema maculopapular eritematoso, ou seja: erupção cutânea e/ou manchas avermelhadas, geralmente no rosto e na parte superior do pescoço, que depois progridem para mãos e pés. O exantema dura de cinco a seis dias, desaparecendo em seguida. O intervalo entre a exposição ao vírus e a aparição das erupções cutâneas varia entre 7 e 18 dias.

Fonte: https://www.mdsaude.com/2013/03/sarampo-sintomas-e-vacina.html

O tratamento é apenas para alívio dos sintomas. A maioria das mortes por sarampo ocorrem por complicações associadas à doença. São mais frequentes em crianças menores de cinco anos ou em adultos com mais de 30 anos. As complicações mais graves incluem cegueira, encefalite (infecção acompanhada de edema cerebral), diarreia grave (que pode provocar desidratação), infecções no ouvido ou infecções respiratórias graves, como pneumonia. Os casos graves são especialmente mais frequentes entre crianças pequenas com má nutrição e, sobretudo, entre pessoas com deficiência de vitamina A ou infectadas pelo HIV/AIDS, entre outras doenças.

As vacinas contra o sarampo foram disponibilizadas pela primeira vez em 1963. São encontradas como vacina monovalente ou em combinação com as vacinas contra rubéola, caxumba ou varicela (MR, MMR ou MMRV). 

A OMS (Organização Mundial da Saúde) desenvolveu um conjunto de recomendações para fabricação e controle de qualidade (produção e liberação de lotes), segurança e eficácia de vacinas contra sarampo descrita no Requirements for measles, mumps and rubella vaccines and combined vaccine (live). WHO Technical Report Series, No. 840 (Annex 3), World Health Organization, Geneva, 1994.

Em 2016, a região das Américas foi declarada por um Comitê Internacional de Especialistas como livre do sarampo. A eliminação dessa doença – e da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015 – foi o ponto culminante de um esforço de 22 anos que incluiu a vacinação em massa contra o sarampo, a caxumba e a rubéola em todo o continente. No entanto, como o vírus do sarampo é altamente contagioso e permanece em circulação no resto do mundo, assim como o vírus da rubéola, a região corre o risco de surtos dessas doenças.

Conforme as mais recentes atualizações epidemiológicas da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), 12 países das Américas notificaram 17.361 casos confirmados de sarampo entre 2018 e janeiro de 2019. A distribuição de casos ocorre da seguinte forma:

Países em desenvolvimento tiveram picos no último ano

Em 2017, os países das Américas se comprometeram a tomar medidas para manter a eliminação do sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita, ao aprovar um plano de ação com esse objetivo. O plano enfatiza que, para manter a eliminação, os níveis de cobertura vacinal da população devem ser de 95% ou mais. Nos últimos cinco anos, a cobertura regional com a primeira dose da vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba variou entre 92% e 94%.

Após registrar casos de sarampo desde 2018, o Brasil perdeu a certificação de país livre da doença, conferido pela OPAS, que havia sido obtido em 2016. A ocorrência de um mesmo surto por mais de 12 meses causou a perda do certificado.

O retorno do sarampo é causado por múltiplos fatores: 

  • maior volume de migrações e viagens internacionais 
  • menos pais e mães estão levando seus filhos para serem vacinados.

Algumas ações estão sendo preparadas pelo Ministério da Saúde para aumentar as taxas de vacinação:

  • Exigência do certificado de vacinação na matrícula escolar e no serviço militar;
  • Associar a carteira de vacinação junto aos programas de integração de renda, por exemplo: bolsa família;
  • Ampliação do horário das salas de vacinação;
  • Realização de campanhas de vacinação;
  • Campanha publicitária a ser veiculada principalmente nos estados do Amazonas, Roraima e Pará.

Não é suficiente esperar que os pais procurem os serviços de saúde. Ter uma abordagem proativa e oferecer um programa de vacina facilmente acessível pode ajudar a evitar futuros surtos.

Para saber mais: 

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5633:folha-informativa-sarampo&Itemid=1060 

https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/255149/WER9217.pdf;jsessionid=8EE216858D387C96903CC9B1869DC681?sequence=1 

https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/08/sarampo-como-uma-doenca-evitavel-retornou-do-passado.ghtml


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